A capacidade gerencial como diferencial

02/03/2018

 

Diversas são as condições e motivações para o crescimento das empresas. O momento econômico de retomada se apresenta hoje como uma oportunidade no cenário macro; já as premissas dos acionistas visando lucros ou objetivos pessoais podem ser variações admissíveis nas motivações. Nesse caso, o crescimento baseado em decisões subjetivas, tal como o desejo do empresário em construir negócios de projeção, podem se sobrepor à capacidade analítica sobre os resultados do negócio, já que lucro pode ser apenas uma parte da ambição empresarial.

 

Como ponto comum e convergente, a sustentabilidade dos negócios é um imperativo que demanda a atenção dos empresários; isso porque a vulnerabilidade da competição, mais a variabilidade de contextos, podem ser fatais para o futuro da organização.

 

Nesse contexto, o gestor deve ser capaz de compreender os recursos e capacidades disponíveis, e suas potenciais possibilidades de geração de valor. Essa capacidade adaptativa às condições de produção e comercialização constitui-se como um conjunto de serviços da gestão, disponíveis no aparelho organizacional, e sua realização depende do meio pelo qual eles são utilizados.

 

Penrose¹, nesse sentido, explica que o perfil do empresário é um elemento central do processo de crescimento da firma, ao identificar a qualidade dos serviços prestados pelo gestor como sujeito capaz de alocar as capacidades dinâmicas dos recursos existentes, combinando-os para atenderem demandas latentes percebidas, decorrentes da capacidade de discernimento (e ambição) do gestor.

 

Cabe então ao empresário recombinar os recursos existentes e disponíveis para reduzir a incerteza e os riscos que o mercado engendra, garantindo a manutenção e a ampliação de rendimentos vis-à-vis ao crescimento da empresa.

 

Essa capacidade administrativa pode ser uma vantagem diferencial em relação aos demais concorrentes, já que a habilidade de ler o ambiente e fazer intrusões organizacionais via inovação, por exemplo, é própria da natureza empreendedora do empresário.

 

¹Penrose, Edith. Teoria do Crescimento da Firma. Campinas: Editora da Unicamp, 2006.

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